OURO PRETO
É só pisar na Praça Tiradentes, o epicentro de Ouro Preto, para começar a atinar a história da antiga Vila Rica. Ali, estudantes e turistas transitam entre o monumento ao mártir que dá nome à praça e ao imponente Museu da Inconfidência, que explica o desenvolvimento da cidade. De suas laterais escorrem ladeiras de paralelepípedos que abrigam um dos mais proeminentes conjuntos arquitetônicos do país, tombado como primeiro patrimônio cultural do Brasil pela Unesco, em 1980, com casas e igrejas barrocas e rococós moldadas por mestres como Aleijadinho e Ataíde. Pousadinhas históricas, ateliers, feiras de artesanato e uma vibrante cena de festivais completam o destino.
Atrativos:
A construção de 1766 da Igreja São Francisco de Assis surge imponente no Largo de Coimbra, com o fantástico medalhão da fachada esculpido por Aleijadinho. O forro da nave é uma das maiores obras do mestre Ataíde, que levou mais de dez anos para pintá-lo.
A Igreja Nossa Senhora do Carmo em estilo rococó é um dos últimos projetos do arquiteto Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, e costumava ser frequentada pela aristocracia de Vila Rica. Enche os olhos o dourado da portada, do lavabo da sacristia, dos púlpitos e dos altares laterais, obra de Ataíde.
Difícil não ficar extasiado com o interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar: mais de 400 quilos de ouro forram as talhas da nave a da capela-mor, e a riqueza de detalhes é absolutamente estarrecedora. O Museu de Arte Sacra, no subsolo da sacristia, exibe imagens de Nossa Senhora do Pilar, Santa Bárbara e Nossa Senhora da Conceição.
Frequentada pelos escravos – Nossa Senhora do Rosário é considerada sua protetora -, a Igreja Nossa Senhora dos Rosários do Pretos tem formas curvas no exterior, o que foge da estrutura retilínea padrão das outras construções mineiras do século XVIII. O lado de dentro é modesto, com altares dedicados aos santos negros.
Instalado no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia, o Museu da Inconfidência explora a história da cidade e da inconfidência mineira, falando da mineração, da independência do país e do subsequente império. A parte mais importante do acervo está no primeiro andar, com o panteão dos restos mortais de 16 inconfidentes.
Na antiga casa do noviciado da Igreja Nossa Senhora do Carmo, onde o Aleijadinho viveu seus últimos anos, o Museu do Oratório dispõe mais de 160 oratórios dos séculos XVII ao XX: mínimos e enormes, simples e elaborados, portáteis ou domésticos, com imagens pintadas, esculpidas ou xilogravadas.
De 1770, o Teatro Municipal é discreto, mas cheio de história: a pequena casa de ópera é considerada pelo Guiness Book o teatro mais antigo das Américas ainda em funcionamento. A programação inclui peças, shows e concertos.
O acervo da Escola de Minas/UFOP, uma das mais antigas de engenharia do Brasil, foi arranjado no antigo Palácio dos Governadores de 1741. No Museu de Ciência e Técnica são mais expressivas as áreas dedicadas à mineralogia, com mais de 10 mil amostras de rochas, e à mineração, que reproduz o ambiente de uma antiga mina de ouro. Explora-se ainda história natural, química e astronomia.
A visita à Casa dos Contos, antiga casa de pesagem e fundição do ouro extraído na região começa com um vídeo sobre o lugar, que também já serviu de prisão aos inconfidentes. Estão em exposição livros e documentos da época, mobiliário dos séculos XVIII e XIX e, na senzala, um dos poucos espaços da cidade com painéis explicativos dedicados aos escravos.
A Feira do Largo de Coimbra, ao lado da Igreja de São Francisco de Assis, tem barraquinhas com peças de diferentes tamanhos feitos artesanalmente em pedra-sabão, de porta-joias a xícaras, vasos, jarras e até jogos de tabuleiro.
O passeio de trem tem início na estação, onde uma maquete e painéis contam sobre a ferrovia. Depois, cumpre-se o trajeto de 18 km até Mariana com montanhas e cachoeiras passando na janela. Pode-se optar pelo vagão convencional ou o panorâmico, climatizado e com janelas maiores. Sente do lado direito do trem, para aproveitar melhor as paisagens.
No bairro de São Cristóvão, a Mina du Veloso é a antiga propriedade do Coronel José Veloso do Carmo, que chegou a ter mais de 200 escravos na região. Ela tem 500 metros de extensão (300 m acessível ao público), com salões com poços d’água e diversas galerias.
Ouro Preto tem ainda 12 distritos, entre os mais frequentados estão Lavras Novas com pousadas charmosas e restaurantes que só abrem aos fins de semana; Santo Antônio do Leite e Glaura, reduto de quem faz trilha de bicicleta na região; Amarantina um bate e volta interessante para conhecer o Museu das Reduções; e São Bartolomeu que guarda a tradição da goiabada cascão, caseira, feita por várias gerações de famílias que colhem as goiabas de seus próprios quintais.





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